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Quando operamos o mercado financeiro aprendemos que precisamos lidar bem com as perdas que, com toda a certeza ocorrerão. Aprendemos que perder bem é perder pouco, de preferência o mínimo possível. Sabemos que para recuperar uma perda significativa é bem difícil e nem sempre possível.

Acredito que as nossas dificuldades no mercado são traduções das nossas dificuldades fora dele. Levamos para as operações aquela bomba interna que, ou aprendemos  à desativar ou ela explodirá na nossa mão. No nosso bolso. E sabemos que suas consequências ecoarão no nosso todo. No humor, na família, na autoestima, no saldo….

 

De certa forma, essa mesma estratégia, de cuidarmos com respeito do que é nosso e assim trabalharmos para perder pouco, é uma bela estratégia fora do mercado financeiro também. Mas não utilizamos esta estratégia. Deixamos as perdas crescerem. E muito. Não estopamos nosso prejuízo. Agora ele alcança patamares gigantescos. Na saúde. Na alimentação. Na política. Na segurança pública. Na educação.  No convívio social. E provoca em nós emoções muito parecidas com aquelas que sentimos ao perder muito nas operações.  Ora ficamos perplexos. Ora desconsideramos a força do mercado e nos achamos intocáveis até que caia a ficha. Ora nos desesperamos. Para aqueles que não querem desistir do mercado, de si mesmos e da vida é um belo e necessário aprendizado este de recomeçar. Há quem desista fácil porque não sente sua sua própria força, aquela que não vem do ego, mas sim da alma. Aquela que nos transforma em formigas: pequenas mas extremamente fortes. É aos poucos que vamos construindo o muito. No mercado e na vida.

E depois do tombo o que fazer?

Aprender a ser formiga. Aprender a dar valor a cada operação, a cada lucro, a cada dia bem vivido, a cada atitude educada e a cada gesto de gentileza.

Aprender que somos pequenos antes de sermos grandes, pois se não for assim, corremos o risco de nunca crescer de verdade. E crescer  por dentro é um ato de coragem, um ato de auto-cuidado com o dinheiro e com a vida.

Não vamos fazer fortuna de um dia para o outro, na grande maioria das vezes. Não vamos salvar o mundo com atitudes boas. Perdemos o timing. O mercado não perdoa. Os políticos também não.

Então vamos ser humildes dentro e fora do mercado. Vamos nos cuidar assim mesmo. Vamos cuidar de cada lucro que temos e dar limites para cada perda para que não nos destrua usando nossa própria força. Não vamos autorizar, permitir  a nossa própria destruição. Vamos cuidar do mundo mesmo que não o salvemos, porque no mínimo daremos  bons exemplos e uma chance àqueles que amamos e a nós mesmos.

Que a gente possa lembrar que o amor que permanece é aquele que é incondicional, ou seja, que a gente saiba colocar stop no nosso lado auto- destrutivo e deixe fluir a operação com nosso lado humano em tendência de alta.

Fernanda Nunes Gonçalves

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