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O caminho do trader tem várias possibilidades: há quem comece a operar e não pare mais. Há quem comece, pare e nunca mais volte e há aqueles que começam e, por inúmeros motivos param e, depois de um tempo decidem voltar a operar o mercado.

As palavras escritas aqui, neste texto, são um olhar um pouco mais demorado para aqueles que já desistiram uma ou inúmeras vezes, mas sempre acabam voltando. E cada volta encontra um trader, na maioria das vezes, mais maduro. Porque quando estamos vivos é mais ou menos isso que acontece, vamos abençoando pontos finais e liberando vírgulas. E cada recomeço é sinal que uma vírgula foi liberada, não no assunto que terminou, mas na vida. Ainda estamos em movimento, ainda estamos experimentando atrevimentos e flertando com o desconhecido. E assim muitos traders voltam para o mercado financeiro.

O grande desafio nesta etapa é poder identificar o que foi estopado dentro de si quando este mesmo trader saiu do mercado. Qual trade interno foi encerrado? Foi sofrido? Foi traumático, com perdas financeiras e afetivas, bem consideráveis? Ou foi um até breve, vou ver o que mais tem por aí…

A volta ao mercado depende um tanto desta percepção, pois se o trader traz consigo cicatrizes ainda vivas ele irá levar para o gráfico esta memória, este desconforto e, poderá virar um ponto cego no caminho à bons resultados. Saber ler sinais internos é tão importante quanto ler os sinais do gráfico e do mercado. No meu ponto de vista, são até mais importantes. Compreender se ainda existem intenções, objetivos que estão em aberto, à espera de um bom fechamento interno.

Não só no mercado, como também na vida,  é no mínimo interessante a gente poder perceber o que estamos de fato encerrando quando paramos uma atividade, quando saímos de um relacionamento e até mesmo de uma operação. E assim prestarmos mais atenção aos movimentos do ciclos em nossas vidas e também no mercado, percebendo e entregando-nos com alma leve e aprendizados em franca tendência de alta a cada recomeço como se estivéssemos começando do zero e fosse  tudo novo.

Pois de fato, é! O agora nunca existiu antes!

Fernanda Nunes Gonçalves

 

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This article has 3 Comments

  1. Excelente texto. Me identifiquei completamente com este artigo. Depois de muito apanhar do mercado, ou melhor, de mim mesma, decidi parar. No início senti um enorme alívio, seguido de imensa frustração e por que não dizer uma certa dose de abstinência. Seria persistência ou adicção? Tentativa de fuga e justificativas para outras questões através de um gráfico, poderia ser isso?

  2. Oi Dorotéia,
    Muito obrigada pela leitura e por dividir comigo um pouco da sua caminhada.
    Existem muitos motivos para fazer o que fazemos com a gente mesmo através do mercado. Um dos caminhos possíveis para compreendermos mais do nosso jeito de perceber o mercado e à nós mesmos é começar a ouvir, a observar a sua real intenção ao operar o mercado, começar a fazer um caminho interno de autoconhecimento, um caminho de escuta, de percepção. Digo isso pois meu trabalho tem a auto-percepção com um dos pilares. O que vejo na prática é que levamos tudo que está na nossa bagagem emocional, consciente ou não, para o gráfico e para nossos resultados no curto e no longo prazo. O resultado no mercado é uma foto dos nossos pontos cegos e/ou da nossa fluidez, daquilo que precisamos desatar ou usufruir. O lado bom é que podemos desatar estes nós, basta prestar muita atenção, uma atenção aberta nas pedras em que estamos tropeçando e trabalhar para construirmos o melhor que podemos ser, dentro e fora do mercado. Grande abraço!

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