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Ela, uma conhecida, não era o tipo de pessoa que, quando era hostilizada, respondia na mesma hora. Ela prendia as palavras. Prendia o que sentia. O que pensava. Tinha aprendido a engolir dores.

Na maioria das vezes, as palavras ficavam fortemente presas entre seus dentes e gerando tensão no seu maxilar. Na mordida que segurava um possível  “já chega” ou, talvez, palavras mais duras ainda do que aquelas que tinha ouvido. Ou ainda, carregando segredos da alma revelados pelo corpo.

Pois, no corpo moram alguns segredos que muitas vezes temos receio de decifrar à nós mesmos. E é quando a gente aceita se conectar às nossas verdades que estão em movimento, mas ainda são nossas, que pode se iniciar ou enriquecer o processo de cura.

E assim como muitos remédios tratam nossas dores, outros tantos silenciam estas mesmas dores e nos distraem do essencial, de uma possível cura que muitas vezes está disponível, mas percorremos um caminho que nos distancia desta possibilidade. Calar uma dor segue um caminho diferente do querer curar a alma e o machucado que se revela.

Pois as certezas não moram neste mundo. Nem sempre um sintoma tem dono. O ranger de dentes pode ter uma cor para mim e outra para você.  Há segredos que se vestem de gastrite e dores da alma que vivem na enxaqueca. Por isso o caminho de reconexão com a alma e com o instinto de vida são a essência de um corpo que quer o futuro.

Que a gente possa atrever-se e arriscar-se á uma escuta e uma postura amorosa e respeitosa diante de tudo que nos habita emocionalmente e que nos transforme as dores mais profundas que se materializam através de nossas doenças e nossos sintomas.

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